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Wednesday, November 1, 2017

Uma simples narrativa com amor - Only lovers left alive - Uma história portuguesa

Escrever uma narrativa em português não é tarefa fácil, pois inclui sentimentos, sensações, emoções, estados de alma/espírito e tentar narra-la com amor e com palavras vindas de um membro chamado coração (sem ilusão), mas com paixão.
 Decidi construir esta mesma construindo primeiro o puzzle contido nela com palavras em inglês e depois fui colocando meras questões em cada imagem que a compõe para tentar fazer com que a ordem fosse um sentido arbitrário onde a emoção ultrapassa a razão.



Num qualquer vício de café 

Recordo-me com exactidão de quando falava da minha gatinha Ilvie que me foi roubada há menos de um ano e até mesmo de uma questão de identidade com exposições feitos com trabalhos de artistas internacionais difundidos pelo mundo fora em vários idiomas (que podem ser vistos neste mesmo blogue através de posts com palavras e imagens, em vídeos ou nas exposições que fui desenvolvendo em narrativas por todo o mundo) e que não entendia o que estava por detrás de sentimentos nefastos como ódio, cólera, raiva ou perseguição quando somente procurava compreensão e passado um ano continuo a não entender estes mesmos sentimentos para com alguém com quem partilhamos uma vida com um animal de estimação como a minha fantástica gatinha guerreira Ilvie.
 O título desta narrativa veio-me à cabeça, pois parece que vivemos num mundo onde somente os amantes pela vida podem compreende-la com toda a sua extensão ficando vivos na mesma, mesmo quando a demência faz com que o ser humano perca a sua essência e mesmo inteligência ou sapiência.
 


Quem?
Num qualquer jogo de xadrez onde a vida nunca está perdida ou esquecida, alguém depositou a sua confiança em mim com emoção, profissionalismo e dedicação na mesma e este alguém é mesmo e será sempre uma pessoa especial na minha vida. 




Onde?
Conduzindo ou sendo conduzido nesta estrada chamada vida, as palavras sempre foram fortes na minha óptica, pois a essência da sua arte, por vezes faz com que uma imagem não valha mil palavras, se estas tiverem emoção ou paixão.



Onde estamos?

Fui procurando entender como jogar os jogos contidos na obra "Onde está o Wally?" do livro narrado e ilustrado pelo artista britânico Martin Handford que sempre percorreu a minha mente e o meu coração desde criança.
 Sei que para tudo existe uma razão com emoção, mesmo sendo um simples Zé Ninguém como descrito pelo escritor alemão Wilhelm Reich que nasceu na mágica cidade do Porto sem ponto.




Muitas das vezes, dizem que o silêncio vale ouro e que a essência pessoal de cada ser humano transforma o profissional em algo nada banal.


Uma simples estória

Outras vezes dizem que uma simples estória é mais que uma mera memória onde palavras vão sendo arremessadas contra as mais diversas intempéries nesta vida.



Um segredo

 Procuramos um segredo ao ultrapassar barreiras e barreiras de obstáculos colocados a nós mesmos e sem medo sendo seres humanos, individuais e estando inseridos numa sociedade onde o pessoal se mistura com o profissional.
 Muitas vezes, perante sol, chuva e frio, era guiado por uma alma gigante proveniente da minha gatinha Ilvie,  onde a sua beleza era muito mais que simples tristeza e onde a doçura da manhã se transformava no café mais amargo nesta vida sem a sua presença fisíca.
 Lembro-me de me teres dito:
- Vamos tomar um cházinho, pois está frio e sinto um arrepio?
Esta frase ficou-me na minha mente, onde as palavras foram sendo soltadas em vícios, em vários idiomas com a ajuda de seres humanos de todo o mundo que me iam ajudando mais que as pessoas que me rodeavam (mesmo quando estava perdido em babel) e onde a tua presença não era uma ilusão à mão.
 Dizem-me que nasci para ser um líder de homens se soltasse o meu coração pelo mundo fora e foi sempre o que fiz com a tua ajuda.
 Amantes da vida seremos e sempre vivos estaremos.
 Amantes da emoção somos e com o coração a bater ficamos com a sensação de fazer com que o prazer seja o lazer.
 Amantes da devoção fomos e com a alma a gritar ficamos a respirar para sempre o mesmo ar. 
"Only lovers left alive" é uma história de luta, de magia, de sobrevivência, de resistência/resiliência para pudermos ser quem sempre fomos.
 Escrever uma narrativa com pedaços de papel com imagens e palavras impressos em várias cidades neste mundo não é uma tarefa nada fácil, mas com a tua ajuda fiz-lo e irei continuar a faze-lo .
 Muitas das vezes, falam-me de actos inconsequentes, enquanto eu penso em factos onde não se podem passar "paninhos quentes".
 Esta narrativa junta-se a outras que fui criando neste mesmo blogue onde o pessoal e profissional se mistura e se encadeia com a ajuda de mais de 150 artistas internacionais numa interacção nada teatral.
 Cartas de amor, nunca têm que ter qualquer tipo de dor ou pavor, pois a sensação da palavra que dá origem a estas mesmas cartas não é razão, mas sim pura emoção.
 Com ternura, carinho, compreensão, emoção e paixão continuarei a escrever esta narrativa em vários idiomas onde as nossas memórias ou as vidas que vivemos não são histórias de cordel perdidas em papel.
 Devido a este facto digo-te com simples palavras:
- Num qualquer pedaço de papel...
- Numa qualquer garrafa deitada ao mar...  
- Numa qualquer rua com palavras e imagens...
- Tenho a certeza que continuaremos a sonhar e sonhar...
- Tenho a certeza que a realidade não é somente idade ou identidade, pois muitas vezes as ruas não têm nome e as cidades simplesmente estão repletas de vida, onde a razão ultrapassa a emoção quando tentamos escrever com o coração.

Narrativa que irá continuar a ser escrita com palavras e imagens para dar origem a um livro...

Dedicada a uma pessoa muito especial.

1 de Novembro de 2017

Manuel Espírito Santo             

Thursday, October 19, 2017

Uma carta de amor numa cidade com identidade

Algo simples

Por vezes perguntam-me em que projectos estou envolvido ou onde está a minha mente.

 Eu não sei muito bem o que responder, pois a mesma funciona sempre junto com o meu coração e a minha alma, logo vou respondendo que os projectos que tento concretizar têm a ver com vida e com um sentimento chamado amor que é gerido em vários momentos da mesma.


Uma capela de almas

 Muitas vezes, enquanto o meu cérebro deambula com o meu coração numa luta desleal, vou-me lembrando de almas que se juntam numa capela numa rua perdida e bela com o nome Catarina.
 Escuto preces, oiço pessoas a falarem enquanto passam, comunico com as mesmas nas ruas, sabendo que irei sempre falar do amor que tenho pela cidade onde nasci e que é a mais bela do mundo.



Doces e mel com uns simples flyers

Perco-me entre doçuras e travessuras em cafés com vida e gente onde a alma nunca está distante do coração e está mesmo à mão.



Um simples rapariga e um desenho baseado em mim pela artista polaca Magdalena Minko


Tento construir puzzles com um estilo pessoal e profissional onde a vida é algo que se encadeia no mesmo e nunca é perdida...



Uma rapariga com liberdade e sem idade 

 Falam-me de falta de identidade na cidade do Porto e eu somente coloco uma simples frase "quem é esta rapariga?" num autocolante com uma imagem na magnifica praça da invicta que ostenta o nome liberdade.


Uma rua da invicta com uma imagem de uma simples rapariga 

Nas ruas te procuro, nas ruas te encontro como se tudo não passasse de um mero sonho que colide com a realidade e uma imagem com palavras nunca deve ser de uso exclusivo nacional, mas sim internacional.

 
Numa estação de metro com uma imagem de uma simples rapariga e com um desenho baseado em mim pela artista polaca Magdalena Minko

Entre a chuva e o frio e entre a tua e a minha dor física/emocional, chegam a pedir-me para ser um simples ser racional sem imagens ou palavras em ruas que sempre percorri.


Um copo com água, uma simples rapariga e o actor norte americano Clint Eastwood pelo artista polaco Nikodem Cabala

Por vezes sinto-me rejuvenescido como se de repente tivesse entrado numa qualquer fonte da eterna juventude onde o que conta são simples imagens do actor norte americano Clint Eastwood enquanto novo e duma simples rapariga com meras palavras.  


Um cigarro que arde, um copo com água, um simples vício, o actor norte americano Clint Eastwood mais velho desenhado pelo artista polaco Nikodem Cabala   


 Um cigarro arde, as rugas vão aparecendo, a água que tanto nos dá não é um simples vício, mas sim uma necessidade de limpar a alma até uma qualquer áurea espiritual onde sei que as pessoas que dão o coração nesta vida,  não têm idade, mas sim identidade...   


O personagem Earl Four Eyes do artista italiano Stefano Zattera e um desenho baseado em mim pela artista polaca Magdalena Minko  

    Perdido num personagem de banda desenhada que é um ser mutante chamado Earl Four Eyes e que tenta ser um simples detective fumando cigarros.
 Sei quem sou e o que amo com toda a paixão, emoção e ilusão, onde as ruas de uma qualquer cidade têm imagens, palavras e acima de tudo VIDA numa felicidade extrema e sem qualquer tipo de guerra com ou sem cartel.

 Da mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto
 Manuel Espírito Santo

Monday, October 16, 2017

Sticker in a road - Only lovers left alive




Since I was a child I never knew how to write love stories...
How can a person describe a feeling with simple words?
How can someone put a love letter in a bottle and leave it randomly in some vast ocean?
Only lovers left alive is about a woman and a man...
Only lovers left alive is about everything and nothing at the same time...
Only lovers left alive is simply about life and a feeling in it...


"Sticker in a road"

I'm lost in a crossroad, it's raining cats and dogs and I clearly don't know where I am...




I'm on a road and I see a woman coming towards me telling me that I'm a puzzle with twenty five years.
 She smiles at me while saying:
- Will you join me for a beer in a bar in this same road?
I don't know what to answer since sparrows are whispering to me about a storm...
She continues talking with me:
- I've a Jack Daniels bottle in my car and some cigarettes...
The woman tells me:
- Have you seen me?



I look left and right, I smoke a cigarette and I think that a dream is an ice cream...
I answer her:
- Will you let me back in after the storm passes?
- Will I be able to smoke in your car?
- Will I be able to drink a bit of Jack Daniels inside it?
- I'm cold and I'll surely need sugar and honey after drinking and smoking.



   
The woman tells me about the virtues of a man like me that's widely known in the city where I was born and she tells me that she saw me on the news with lots of drawings based on myself by international artists and that my name is all over the world wide web with written articles about my work and who I am in several languages.
 I tell her that I'm only a simple guy that was born in Porto, that loves to communicate with people while showing my emotions and admiring artworks and that's all.
 She talks with me about soccer and how much she loves this sport.
 She also tells me that eyes are more than simple lies.
 I don't know what to tell her since I'm being burned by a cigarette that I'm smoking while she's talking to me.
  She asks me:
 - Do you comb your hair?
 I answer her:
- I don't remember combing it for twenty five years...
She continues telling me about present times, past times and thoughts about the future and I get a bit confused...
She asks me this:
- Have you ever lost any love?
- Who do you love most in life?
I try to reply her questions by telling her that I believe in "no lost love" and that I love my nephews, nieces and my kitty Ilvie because I know that she's alive and I'm not being able to see her and this hurts deep inside me.


She stares at me and tells me that with all its ups and downs, we live in a wonderful life...
I listen to flying sparrows while she's telling me this...
I watch the road ahead of us a bit scared...
I don't talk...
I don't think...
I only listen to my heart beating and beating...



She talks with me about flowers...
She tells me that she loves origami as an hobby...
I tell her that I believe in the power of words with feelings...
She tells me about how she feels her heart and soul fleeing her body lots of times while she's dreaming...
She tells me about her past...
I ask her:
- Will you help?
She asks me:
- With what?
I answer her:
- With everything...
She tells me: 
- I'll break your heart...
I tell her:
- Your past is not my concern...
While driving the road where we are in, we laugh, I smoke cigarettes, she tells me that she's tired and that I also am tired and we continue laughing and laughing until the break of dawn...
I tell her that I do feel her and that I'll show her the world in my eyes being her devotee...

To be continued



 

Wednesday, October 11, 2017

Uma carta de amor dentro de uma garrafa em Cuba - A Portuguese lovestory - Only lovers left alive


Cuba




Por vezes, enquanto algo vai ardendo dentro de mim, procuro o sabor das palavras em imagens encefálicas mas que me vêm directamente do coração.
 Estando perdido algures em Cuba, imagino uma vilazinha no Alentejo num país chamado Portugal e vou olhando para um bar onde vejo um casal a dançar um mero tango de uma forma sensual e eu enquanto os observo vou bebendo uma cerveja e fumando um cigarro, sem sequer eu me aperceber, três anjos falam-me aos ouvidos: 
- Queres dançar comigo em Buenos Aires? 
- Procuras uma mera garrafa em Cuba? 
- Diz-me o que escreveste e dir-te-ei quem és.
 Eu continuo a olhar para as ruas de Cuba, sujas, cheias de lixo e vejo droga e prostituição em todo o lado e muitos me abordam numa sequência de assédio para fugir da minha missão de encontrar a tal carta.
 Olho para o espelho e vejo os meus olhos cansados e o cabelo que cresce enquanto procuro encontrar uma tesoura para o cortar eu mesmo, a minha barba também está enorme e somente com uma faca de cozinha e um pouco de sabão a vou tentando desfazer.
 Está um calor infernal e tenho meramente um dólar para me alimentar e beber e não sei o que fazer ou a quem recorrer.
 Tu falas para mim através do teu coração: 
- Vives na ilusão de uma carta perdida numa garrafa.
- Vives iludido com meras palavras.
- Continuas perdido entre sonhos e pesadelos.
Eu imagino o teu rosto na minha mente, enquanto vou pensando para mim mesmo em voz alta: 
- Que faço eu aqui perseguido por lunáticos? 
- Porque é que estas ruas emanam um cheiro a urina, sémen, sangue e droga? 
- Porque é que vejo ratazanas maiores que gatos a cada esquina? 
 Vou-me deslocando para uma mera garagem e quando abro a porta vislumbro imensas garrafas de cerveja vazias com algumas frases escritas dentro delas: 
 - Já ninguém escreve palavras.
 - Já ninguém dança 
 - Já ninguém ama.
 - A tua perseguição é a tua ilusão.
 - O teu coração já está sem razão.
 - A tua dor causa gritos silenciosos.
 - O amor é um sentimento perdido.
Eu fico meio perdido a ler estas frases, a minha camisola e as minhas mãos estão completamente sujas de estar a mexer nas garrafas de uma forma completamente aleatória e vou partindo cada uma das garrafas com os meus punhos cerrados, enquanto noto sangue a esvair dos mesmos.
Vejo insectos em todo o lado, baratas gigantes, centopeias, gafanhotos, aranhas que vão percorrendo as garrafas enquanto tento decifrar a carta que procuro e que se assemelha a um mero puzzle a ser montado.
 De repente um homem grita-me: 
- QUERES VER O BARCELONA - REAL MADRID? 
 Eu aceno-lhe com a mão que quero e vou para o seu bar beber uma cerveja, ele cobra-me pela mesma 20 cêntimos, ficando eu com uns meros 80 cêntimos, vou olhando para o ecran e vejo um relvado e 22 pessoas a correrem atrás de uma bola e um treinador que escuto na minha cabeça: 
- O melhor ataque é a defesa.
- Quando te atacam, tens que contra atacar rapidamente em segundos.
- Lembraste quando falei contigo na tua cidade natal? 
O dono do bar vai gritando a cada golo que marca o Barcelona e eu permaneço estático com o coração a gritar, enquanto passam pássaros no ar que me vão dizendo algo:
- Procura a GARRAFA.
- As palavras estão perdidas no tempo.
- Olha para o rótulo das garrafas.
- Nota o seu prazo de validade.
 Eu continuo no bar estático e o Barcelona está a ganhar 3 a Zero e o jogo está no intervalo, farto de estar no bar desloco-me para uma rua e vejo uma bela rapariga que me diz: 
- Tens medo do Satanás? 
- Queres dançar um tango comigo? 
Eu aceno-lhe com a cabeça que sim, sem sequer mencionar uma palavra e perco-me com ela numa dança sensual.
 No frenesim do tango e depois de ela me ter oferecido várias garrafas de vinho, fico perdido e acordo num quarto cheio de traças e pulgas com a rapariga a vestir-se e não sei onde estou.
 Visto as minhas calças e quando procuro nos meus bolsos, meras caixinhas que tinha como amuletos, noto que elas já não existem senão na minha mente.
 Tu continuas a dizer-me: 
- Porque é que escreves cartas de amor? 
- Será que não sabes que o calor derrete corpos numa fusão constante? 
- Será que não sabes que os fluidos secam nesse país tropical? 
Eu não sei o que te dizer e vou novamente para o armazém onde estão todas as garrafas á procura da carta e vou partindo-as todas somente com os meus punhos enquanto não vejo a mesma, mas sim frases soltas: 
- Procura um PORTO de abrigo.
- Busca o teu coração.
- A tua alma é mais do que razão.
Olho para o meu corpo esquelético e penso para mim mesmo: 
- Onde estão os meus sonhos? 
- Onde está a minha gata? 
- Onde está o meu equilíbrio? 
 Tu continuas a dizer-me: 
- Olha para mim e escuta os anjos que te rodeiam.
- Ama a vida e GRITA.
- Nunca desistas.
 Eu continuo a partir garrafas com os punhos literalmente ensanguentados e a minha T-shirt completamente manchada de sangue e encontro a carta numa delas e guardo-a no bolso das minhas calças, enquanto ratazanas gigantes tentam me atacar, vou fugindo do armazém em direcção ao bar e noto que o jogo está ainda a decorrer e o Barcelona continua a ganhar mas só por 3 a 2 e ainda faltam 30 minutos para o seu fim.
 O treinador do Real Madrid grita: 
- VAMOS A ELES EM CONTRA ATAQUE.
 Eu olho para a carta e vou-te dizendo: 
- Já ninguém escreve cartas de amor em Cuba.
- Já ninguém escreve cartas de amor.
- Já ninguém escreve.

E olho para uma parede na qual está escrito isto: 
- Continuas a arder, descansa.

Continua

Já ninguém escreve cartas de amor - A Portuguese love story - Onlylovers left alive






Num qualquer hemisfério onde o tempo não passa de um lápis a escrevinhar um papel, vou-me lembrando de cartas de amor perdidas e esquecidas num qualquer armário.
- Já ninguém escreve cartas de amor.
 Dizes-me tu.
Eu fico um pouco perdido a vasculhar a nova tecnologia e a pensar que a extensão dos meus dedos não substituem o agarrar de um qualquer lápis ou caneta a desenhar palavras.
 Num qualquer espaço gélido perdido na Sibéria, escuto lobos a uivarem cantos de amor para as suas lobas.
 Vou pensando na busca de um livro e agarro-me a ele com força (como se tivesse a cumprir uma missão importante na minha alma), onde o paraíso e o inferno colidem.
 Fico parado a olhar para a tua silhueta que fica reflectida no gelo de uma região como a Sibéria, onde telefones ou novas tecnologias com vista à comunicação não existem.
 Mergulho num lago em busca de peixes para me alimentar e a água está gélida e o meu coração bate e bate e sinto-o quente enquanto continuo a vislumbrar a tua silhueta no gelo.
 As tuas formas cândidas fazem com que a temperatura aqueça um pouco a água que consome o meu corpo, saio da água com duas trutas ainda vivas e sem pensar muito ou reflectir demasiado no assunto, com duas pedras semelhantes a dois corações vou tentando fazer fogo para me alimentar.







 Tu dizes-me:
- Rapaz, olha o livro à tua frente, tens uma missão a cumprir.
 Eu vou lavando a alma e nutrindo o meu corpo com proteínas com o claro objectivo de sobreviver.
 Olho para a lua e ela está cheia e ao olhar para ela vislumbro o teu rosto doce e um sorriso matreiro que faz com que um qualquer esgar não seja traiçoeiro.
 Tu voltas a dizer-me:
- Parece que te conheço há anos e por vezes tenho a sensação que não te conheço, será o tempo e o espaço relativo?








 Eu tento entrar num racionalismo puro e duro como Gaston Bachelard me ensinou e na sua base, tentando conservar a minha existência com um sabor emocional.
 Volto a olhar para ti, enquanto as pedras não fazem fogo e tu silenciosamente falas-me de um comboio no qual devo ingressar para regressar para a minha terra.
 Eu fico a olhar novamente para o lago, está muito frio e tento agasalhar-me com umas meras peles de cordeiro que apanhei no chão, enquanto olho para o mesmo, noto a minha barba enorme e o meu cabelo despenteado e noto as brancas que aparecem no mesmo.
 Tu gritas para mim:
- Foge do gelo e volta para mim, não sejas uma pedra, ama uma chama.
Eu não sei o que te dizer pois o mero papel que escrevinhava serviu como isco para pescar as duas trutas que me vão alimentar.
 Tu continuas a gritar entre um sorriso e um mero beijo no ar:
- Precisas de músculo.
- Olha que te desmancham.
Eu fico impávido e sereno a contemplar o teu sorriso e os teus olhos que falam para mim e respondo-te:
- O poder do mundo sempre foi dominado pela mente e pelas palavras, nunca pelo músculo.
 Imagino-te a varrer o sítio onde vou dormir enquanto coloco sal nas trutas que apanhei para me nutrir, tendo em vista a minha existência.
 Tu dizes-me:
- Não és capaz de amar alguém?
Eu respondo-te:
- Já ninguém escreve cartas de amor, pois a imagem polvilha a mente do comum mortal.
Continuo a olhar para a lua e está uma noite cerrada e gélida e continuo a escutar o uivo dos lobos, vou imaginando os beijos que te dava ou o olhar com que me olhavas enquanto as pedras vão acendendo uma chama.
 Olho para o livro que trazia e está mesmo á minha frente enquanto coloco espetos para assar as trutas e vejo frases a gritarem dentro dele:
- Que fazes aqui?
- Diz-me quem amas e dir-te-ei quem és.
- Responde-me a meras perguntas de sim ou não, sem procurares uma escolha.
- Onde começa o Paraíso e acaba o inferno?
- Amo-te de uma forma desenfreada, mas será que sabes quem eu sou?
Novamente sem prestar a mínima atenção ás palavras, vejo uma qualquer árvore carregada de neve onde me encosto e um candeeiro a um quilómetro de distância com uma luz que me vai dando indicações acerca de um possível poiso ou de um sinal de civilização que ignoro e pretendo ignorar.
 Tu continuas a olhar para mim olhos nos olhos e dizes-me:
- Tu és um sonhador, um lutador, um ser utópico.
Eu sorrio novamente para a lagoa onde noto a tua silhueta e de 5 gatas que me fitam e ronroneiam para mim, enquanto vou pensando para mim mesmo:




Jacky, Maya e Nuala

Pimpolha

Ilvie


- Onde estais vós?
- Porque é que vos procuro quando busco meramente sobreviver?
Tu dizes-me de uma forma incessante:
- Não existe amor e uma cabana.
- Não existe amor e uma cabana.
- Não existe amor e uma cabana.
- Todos os escritores ficam perdidos entre a razão, emoção, estando constantemente divididos pelo coração que lhes foi arrancado por uma mera mão.



Cortazar



 Eu imagino a vida de outras pessoas, o inferno de estarem agarrados a um relógio ou o seu paraíso artificial quando acordam e vão para esse mesmo inferno nos seus carros, recolhidos nas suas casas com os seus aparatos electrónicos e digitais, constantemente a verem as horas que passam e passam, enquanto vou escrevendo com um ramo da árvore onde estou encostado estas palavras:
- O amor é um pedaço de alma e um coração que bate entre dois corpos que se assimilam.
 Passam pássaros por mim a voar e o barulho que fazem, deixam o meu coração a bater mais forte, escuto as palavras que eles me dizem:
- Que fazes aqui perdido nesta terra?
- Não procuras um carro ou uma casa?
- Não tens ambição em ser algo mais neste mundo?
Eu não os escuto e só penso no teu cabelo, nos teus lábios, nas 5 gatas que me rodeiam nos meus sonhos enquanto noto passos que me circulam e não sei de onde eles vêm, mas já nada me importa, pois numa qualquer carta de amor, o meu coração vai batendo e batendo num ritmo constante.
 Enquanto escuto os passos, só pergunto isto:
- Porque é que me tentaste matar sem dó nem piedade?
- Porque é que não tentaste vislumbrar aquele candeeiro com uma luz a piscar?


Um dizer



Tu dizes-me constantemente:
- Já não existem cartas de amor.
- Já não existem cartas de amor.
- Ninguém escreve cartas de amor.
- Ninguém escreve cartas de amor.
Eu olho novamente para ti e vejo-me focado no teu ser como uma âncora que me ajuda a suportar a direcção que quero tomar e não acredito nas tuas palavras.
 Por isso, te repito constantemente:
- O amor é um facto inegável.
- O amor é um facto inegável.
- O amor é um facto inegável.
- Imagens não substituem o amor.
- O amor não é uma nova tecnologia.
- O amor não é uma questão hormonal.
- O amor não é um qualquer meio de comunicação virtual ou real.
- O amor sente-se no espírito e na alma.
Tu continuas a repetir-me:
- Mas não existe amor e uma cabana.
- Não existe amor e uma cabana.
- Se te der um pouco de vinho, consegues olhar-me com outros olhos?
Eu não consigo responder-te, pois a tua silhueta é mais forte que o meu corpo físico, logo grito:
- O MEU ESPÍRITO E A MINHA ALMA, AMAM-TE.
- A AMIZADE É UM ESTRANHO TIPO DE AMOR.
Tu ficas a olhar-me e a observar-me e dizes-me:
- Quando encontrares uma serigaita qualquer deixas de me sussurrar aos ouvidos?
Eu imagino os teus olhos a percorrerem o meu corpo, enquanto um lobo me faz companhia numa noite fria e vou-te respondendo:
- Enquanto o meu cigarro não se apagar, irei sempre escrever algo para ti, num qualquer ramo perdido neste hemisfério.
 E vejo a tua silhueta a dançar comigo enquanto o lobo sorri para mim numa noite gélida onde o coração bate mais que a razão.
 Tu danças comigo e sussurras-me um segredo ao ouvido:
- Queres amar-me para sempre numa luz crescente?
Eu não sei o que te dizer, pois a luz do candeeiro vai ficando ténue e as minhas forças vão ficando gastas como uma qualquer pedra desgastada pelo tempo.
 No entanto, murmuro meras palavras para ti:
- Sei que num mero segundo és tudo para mim,.
- Sei que numa qualquer eternidade iras fazer parte da minha existência.
- Sei que enquanto viver, o meu coração e a minha mente não irão ser substituídos por uma mera Pen ligada a um PC ou um qualquer e-mail esquecido.




Uma parede


 Tu continuas a pensar e a dançar comigo enquanto varres o chão:
- Também sabes dançar?
- Também sabes cantar?
- Também sabes gritar?
- Ou será que vives sempre numa ilusão com uma luta com o teu coração?
Eu não penso no que dizes, pois sou guiado pela emoção e enquanto o meu corpo se vai perdendo numa busca de sobrevivência, busco a tua silhueta e uma das minhas gatas que sei que ainda está viva.
 O papel treme e treme enquanto escrevo algo sem razão, vindo da emoção e passando pelo coração.
 Volto a olhar para a lua e para o sol que está a aparecer e a dar-me luz enquanto vou comendo as trutas meio cruas que cozinhei e que vou dividindo com o lobo que está ao meu lado e quando dou por mim, a lua fica camuflada pelo sol e o sol por ela e sussurro-te algo sem tu te aperceberes enquanto estás perdida em tecnologias com o objectivo de teres algum tipo de trabalho ou no trânsito de uma qualquer sociedade:
- Tenho a certeza que ainda existe quem escreva cartas de amor.
- Tenho a certeza que ainda existe quem viva num mundo diferente deste que nos querem "vender", onde a emoção vence sempre a razão numa qualquer sociedade que dita as nossas leis e vai corrompendo o nosso espírito, a nossa alma e o nosso coração.
 Tu ficas a olhar para mim, para o lobo, para as peles que tapam o meu corpo numa noite gélida e perguntas-me:
- Mas o amor não é somente uma palavra?
- Mas a amizade não é somente um momento?
Eu volto a olhar para o lago e vejo trutas a nadarem vivas e a saltarem do mesmo enquanto vejo a tua silhueta e ao procurar a minha gata, digo-te com toda a crença do mundo:
- Tudo na vida tem de vir do coração sem qualquer tipo de ilusão.

Continua

Um mero rebuçado - A Portuguese love story - Only lovers left alive


Identidade por Ana Biscaia



A tinta sempre foi algo que entrou no meu sangue como um rebuçado que vai adoçando a minha boca após um cigarro.
 Num qualquer canto esquecido, procuro o miar da minha gata Viking enclausurada numa espiral de ódio.
 Ela vai olhando para mim e observa-me enquanto enrosca as suas patinhas no meu peito e diz-me:
- Procuras o sonho num sono qualquer onde elefantes cor de rosa te perseguem.
- Buscas o meu olhar ternurento enquanto as lágrimas te escorrem pela face.
- Não és um estranho para mim vindo de uma terra longínqua, sempre te irei amar enquanto viver.
 Vou percorrendo uma escada e observo duas meninas com 21 e 22 anos que me chamam de tio e eu fico estupefacto a olhar para elas, a interrogar-me do porquê de não as ter acompanhado desde pequenas, nesta mesma escada encontro quatro gatas que não estão perdidas na minha memória e que me vão dizendo:
- Deste-me um nome de um desenho animado que amavas quando eras criança, fui à tua primogénita, tu dizias que eu era branca e pura como a neve, lembraste de mim e de como eu te amava?
- Deste-me um nome de a guardiã dos sonhos quando me encontraste pequenina perdida em Lisboa toda malhada, recordas a ternura que tinha por ti quando me deitava nos teus ombros ou de quando me davas o biberão em bébé?
- Deste-me um nome de uma deusa da ilusão quando andava perdida na rua, será que recordas o meu cheiro e o meu olhar e todas as minhas cores?
- Deste-me um nome de algo frágil, pois fui a única sobrevivente de uma ninhada apesar de ser a mais pequena, num misto de preto e branco fui a tua estabilidade e recordo com amor a forma como me acariciavas.
 Eu continuo com o rebuçado na boca e nem sequer retiro o papel que o envolve e volto a observar tinta que escorre num qualquer papel como se a tivesse a beijar suavemente.
 Os elefantes cor de rosa perseguem-me como se fossem dragões a cuspirem fogo por todo o lado e eu busco um refugo num qualquer jacto de água.
 De repente aparece-me uma rapariga do nada que me diz:
- Venho de Milão, estou em Lisboa, posso ir ter contigo à mais bela cidade do mundo?
 Eu sem saber como ou porquê, respondo-lhe que sim e numa actividade louca mostro-lhe todo o esplendor da mesma.
 Ela fica cansada e agarra-se aos meus braços, aos meus cabelos num qualquer orgasmo encefálico e num momento, o tempo deixou de existir.
 Em volta de um fogão vou cozinhando alhos, cebolas, frango com imenso sal e continuo com o rebuçado na boca, desço para comprar tabaco num qualquer café boémio e outra bela rapariga diz-me:
- Lembraste de mim e de como gostava de ti na adolescência e dos teus mistérios?
Eu fico estupefacto e ainda com o rebuçado entre os dentes fico a falar com ela e após a conversa, recebo uma mensagem da ternura e amor/amizade nunca esquecidos após mais de 27 anos.
 A comida começa a esturricar e eu pego em garfos, facas e copos com água para aproveitar um belo pedaço de frango e o telemóvel volta a apitar com a seguinte mensagem de uma amiga querida:
- Vamos para os copos?
Retiro o rebuçado da boca e sinto o açúcar a percorrer a minha boca, língua e o meu sangue, enquanto vou saboreando o belo pedaço de frango para depois numa qualquer madrugada, perder-me em várias cervejas com bastante malte, queimando cigarro atrás de cigarro.
 Envio uma mensagem do meu telemóvel para outra pessoa para me ajudar a corroer o ódio e a raiva que alguém nutre por mim e obtenho o seu feedback, o cigarro vai-se queimando enquanto observo uma igreja românica na cidade do Porto.
 Escuto vozes de duas mulheres vindas do Báltico:



Báltico



- Lembraste de quando nos mostraste a alma da mais bela cidade do mundo ou de quando subíamos a monumentos abraçadas a ti e sem qualquer tipo de medo?
- Tu sabes que te sussurramos muitas vezes nos teus ouvidos quando escutávamos palavras da tua boca enquanto ias mascando rebuçados.
 Eu fico perdido no tempo e um pardal diz-me numa árvore junto á cordoaria:
- Tu vives numa utopia perdido em sonhos.
- Tu amas a tua cidade e as suas almas como poucos.
- Porque é que não és mais do que um mero cidadão desta terra que amas?
Eu respondo-lhe perdido na razão e na emoção:
- O meu pai é o rio que percorre esta terra e a minha mãe a sua ponte.
Viro uma esquina e de repente estou em frente ao tribunal e olho para a estátua da justiça na figura de uma mulher, que me vai dizendo:
- Recordaste das noites que passaste a contemplar-me nestas escadas enquanto a torre te observava?
 Eu continuo a ver os elefantes cor de rosa a tornarem-se em dragões que me aquecem com a sua chama enquanto busco leões em algumas paredes da Avenida dos Aliados e o Deus verde da floresta.
 De repente e enquanto olho para o céu vejo anjos a tomarem conta da cidade onde nasci que me dizem:
- Tu és um ser perdido e esquecido, mas a tua idade faz parte da nossa identidade.
 Sem pensar muito no que os anjos me dizem, busco Antas numa qualquer avenida sentado num café satélite enquanto como uma torrada e fumo um cigarro.
 Olho para a estrada e vejo isto escrito na rua:
- Se te sentires cansado, pensa um pouco, respira fundo e descansa.
 Desço a avenida vou para uma grande caixa onde encontro alguém sempre com um enorme sorriso que me abraça e me diz:
- Se o teu mundo é uma estrada, procura matar o ódio e amar com meras palavras como se de um mero rebuçado ainda envolto num papel se tratasse.
 Eu não sei o que dizer e busco papéis, cronologias de vida, o lado bom e o lado mau da mesma e sem sequer saber onde estou, tu vais-me dizendo:
- Queres uma boleia para uma qualquer estrada?
E nessa mesma boleia vais vociferando contra tudo e todos num círculo sem fim, onde a serpente continua a comer a sua própria cauda.
 Desço do carro, despeço-me de ti com ternura e vou meditando no sabor da cereja, das amendoeiras em flor ou de como as espigas eram rebuçados na minha infância sendo barradas com manteiga.
 Olho para o relógio, sinto-me aprisionado, imagino um manto protector nos meus ombros e sei que num qualquer sonho ou pesadelo, irei ver o início de uma qualquer relação emocional.
 Os elefantes cor de rosa continuam a perseguir-me enquanto a minha sobrinha mais nova me diz:
- Acorda tio, vou-te ganhar ao braço de ferro porque comi muito hoje.
 Eu sorrio para ela e vejo um novo futuro na minha estrada, uma qualquer luz acendida, uma janela entreaberta, enquanto noto o cheiro da vela que vai ardendo na minha casa e sem pensar em nada, todas as minhas recordações me inundam a mente e vou pensando para mim mesmo:
- Será que sozinho e com pouca ajuda consigo criar um império com meras palavras e um rebuçado sem papel a envolvê-lo?

Continua

Sequential love story/arts project - Part 138 - International artists

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