Sunday, June 25, 2017

Uma mera questão de consciência

“…nesta época estranha a inteligência parece estúpida e a estupidez inteligente, e torna-se salutar desconfiar de ambas por questão de prudência….” (Lobo Antunes, MEMÓRIA DE ELEFANTE)



Por vezes vou-me perdendo em palavras desfocadas de coisas que li, reli, investiguei e que colidem demasiadas vezes com a minha existência enquanto ser humano.
 Ao reler livros em pleno século XXI como "1984" de George Orwell, pequenos contos de Júlio Cortazar, "Escuta, Zé Ninguém", de Wilhelm Reich, excertos da magnifica obra "The Invisibles" de Grant Morrison ou "Perramus" de Sasturain com Alberto Breccia ou ainda retendo pequenas imagens de filmes do cineasta português João César Monteiro (que na minha opinião é talvez o melhor realizador mundial de todos os tempos) e que me vão aparecendo nas mãos fico com a sensação que o ser humano deambula demasiado por subterfúgios, nos quais uma simples barata ou centopeia desdenharia entrar.







Página de "Perramus" de Sasturain e Alberto Breccia

Página da fantástica obra "The Invisibles" de Grant Morrison 


João César Monteiro


 Logo lembrei-me de começar este post com um pequeno excerto de um livro memorável para mim a todos os níveis de António Lobo Antunes chamado "Memória de Elefante" e no qual o autor vai narrando episódios da sua vida, num primeiro romance sobre o qual me confidenciou há mais de treze anos pessoalmente nas suas próprias palavras que o mesmo "era um livro cheio de sangue".
 Por vezes vou batalhando na minha mente como um elefante com memória que vai sendo atacado por diversas hienas das quais o mesmo não se consegue livrar mesmo, enquanto vou pensando para mim mesmo se "250.000 euros de um possível divórcio é o suficiente para várias hienas atacarem um pobre elefante numa gritaria sem fim" enquanto uma hiena amedrontada que acredita em estórias/fábulas como o "João Pé de Feijão" vai continuando a calcar inúmeros papéis, sem saber muito bem o que está a fazer com medo que as outras hienas também a devorem num processo contínuo de reciclagem do seu passado e presente.

Um elefante a lutar contra hienas 



 Desde que sou criança que sempre me fez confusão machucar sequer uma aranha ou uma formiga de uma forma intencional, mesmo quando via alguma criança a fazer estes actos condenava-a de uma forma ética e moral.
 Por vezes perdido a escutar as palavras do livro "Escuta, Zé Ninguém" de Reich na minha mente, só me vem à cabeça uma investigação pessoal que fiz e que querem que a mesma seja desacreditada, mesmo por quem deveria me defender, por todos os meios possíveis e imaginários da consciência e condição humana.
 Outras vezes vão-me dizendo que não deveria ter memórias ou até sentimentos enquanto um mero e simples ser vivo que habita este planeta.
 Penso muitas vezes para mim mesmo em frases como "Quem sou?" ou "O que faço?" neste mundo enquanto vou continuando a tentar trabalhar com alma e sentimento e perdendo demasiada energia e até contractos a nível mundial que colocam em causa a minha subsistência enquanto um mero ser vivo.
 Saio para respirar um pouco e sou novamente rodeado por hienas histéricas que tentam me devorar vivo e vou-me sentindo como se estivesse a ser cozinhado enquanto ainda estou vivo.
 Continuo a deambular na mui nobre e invicta cidade do Porto somente com uma ideia/ conceito com a ajuda de artistas internacionais pelo qual vou lutando com poucas forças com a minha família e a minha gatinha Ilvie sempre no meu pensamento.

T-shirt personalizada com um desenho do artista espanhol Javier Olivares baseado no  seu livro "Las meñinas"  escrito por Santiago Garcia 

T-shirt personalizada com um desenho do artista britânico David Lloyd baseado no  seu livro "V for Vendetta"  escrito por Alan Moore 



 Até conseguir concretizar esta mesma ideia, vou reunindo meras palavras em pequenos textos de uma forma artesanal como se de meros origamis se tratassem.
 Lembro-me de quem sou, lembro-me dos ideais da minha família e acima de tudo lembro-me de onde nasci, na mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto numa casa bem humilde onde comecei a escrever e na qual continuo a escrever páginas nesta vida que todos temos.        

Esperando puder concretizar os meus conceitos quer a nível profissional, quer a nível familiar.

Fantástica caricatura de mim feita pelo incrível artista argentino Carlos Dearmas 


 Manuel Espírito Santo     

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