Sunday, October 30, 2016

Á mui nobre e invicta spoken words performance - Manuel Espírito Santo e Sérgio Rocha

Em Setembro de 2008 eu e uns amigos decidimos fazer uma performance/manifesto de Spoken Words com um texto meu dedicado á cidade mais bela do Mundo - Porto, com guitarra improvisada do músico Sérgio Rocha num qualquer bar da invicta.
 Quem esteve lá, gostou bastante e a minha voz enrouquecida ia entoando palavras enquanto me ia doendo um pouco a cabeça e sem parar as palavras foram sendo soltadas da minha garganta.
 A imagem não é a melhor (foi o que se conseguiu na altura), mas gostei de ter feito esta performance até ficar quase sem energias, sem elitismo, sem presunção e com honestidade. 
 A cidade era muito diferente nessa altura, mais deserta, um pouco perdida no tempo, diferente da cidade que é hoje em dia.
 Depois do vídeo, pode-se ler o texto original e como acredito no poder da cidade onde nasci, o meu blogue teria que ter este mesmo manifesto como registo.
 Texto também dedicado ás minhas quatro gatas que perdi na altura: Jacky, Nuala, Maya e Pimpolha que foram a minha força interior durante mais de 10 anos e das quais perdi o rasto num virar de página, mas guardo-as nas minhas memórias, recordações e no meu coração para sempre assim como a minha gatinha Ilvie que perdi recentemente em Maio deste corrente ano sem entender muito bem o porquê e que foi a minha musa durante mais de 5 anos.
 Na minha consciência, na minha vida com estas 5 gatinhas desde que as trouxe para a casa onde vivia na altura, as mesmas sempre me deram muito mais do que o que eu lhes dei durante os anos passados na sua companhia, pois controlaram os meus sentimentos, emoções, a minha alegria e o meu choro quando tal foi necessário na nossa vida em conjunto e por elas sempre lutei até á minha exaustão.
 Manuel Espírito Santo



                         "Riscos inconsequentes" 
"Na ânsia de encontrar um risco, as rugas vâo aparecendo e desaparedendo.
No exôdo das mais variadiassimas correntes elitistas, vemos sombras a abraçar sombras.
A noção de tempo é intercalada pela noção de espaço.
A chuva vai-se multiplicando e desmultiplicando numa caverna opaca e ilusória.
O corpo transita e emana energia e energia.
Num mediatismo absoluto; o sol abrazador vai sendo testado em tulipas que se vão abrindo.
Não saberei o que faço ou mesmo quem sou.
Observo pontes, percorro mentes e deambulo pelas estradas.
Palavras conjugadas por letras num grito mudo e inerte.
A cidade é um objecto concreto, o seu pavimento é feito de vivências, os seus pensamentos são peculiares, a cidade vive e fala:- Quem sou eu?!
- Tantas vozes dentro de mim.
- Tantos braços e tantos beijos por mim passados.
- Tantos encontros e desencontros.
- Tantas lágrimas vertidas no meu pavimento.
- Tantas árvores deslocadas.
- Tanta vida a esvair-se.
- Continuo aqui com as minhas pontes e novas pessoas num processo contínuo de reclicagem.
- Todos estes edificios abraçam-me.
- Toda esta essência envolve-me.
- Sou meramente um ponto num mapa; uma cidade casual, a minha idade é desconhecida.
- Nas minhas artérias, a vida pula num frenesim constante.
- Serei uma cidade ou um posto?!
- Serei um ponto ou um Porto?!
- Povoada; despovoada, pessoas que passam e passam num ambiente febril de intenso trâfego andante.
- Por vezes; escuto sons, são-me murmuradas palavras, mesmo sem eu possuir ouvidos.
- Os meus braços estendidos; abraçam o rio e a areia, indo mesmo por casualidade parar ao mar e por consequência ao oceano.
- Sou um nome.
- Sou um ponto.
- Sou mãe, pai, avô, avó e filho.
- Sou uma alegoria dentro da mente humana.
- Sou um repasto suculento por quem por mim passa.
- Os olhos vão-me observando até ás entranhas.
- Texturas vão sendo completamente trituradas pelas pessoas que se atravessam nos meus caminhos.
- Sou objecto de Amor.
- Sou objecto de Ódio.
- Sou a objectiva de uma camara fotográfica.
- Sou um sonho abstracto.
- Sou a realidade concreta.
- Vivo; sobrevivo e morro todos os dias.
- Sou um palco de cenários.
- Sou matéria para livros, discos e filmes.
- Sou uma voz entoada por um povo.
- Sou um filtro que tarda a acabar.
- Sou a alegria de uns e a tristeza de outros.
- Sou um grito prolongado.
- Sou uma voz muda.
- Faço parte de um conjunto de seres; daí o meu nome.
- Torres; pontes, catedrais. Tudo isto foi aqui edificado.
- Sou a fama e a glória.
- Sou o aglomerado de pessoas numa só.
- Sou essência de um país.
- Sou um mero papel inócuo.
- Sou transitória.
- Sou vaidosa e suja ao mesmo tempo.
- Sou um cinzeiro.
- Faço parte do lixo.
- Sou um mero copo com água.
- Sou alguém que te vê todos os dias; a rir, chorar e a sorrir.
- Tenho nome; procuro identidade.
- Não sou um número.
- Sou uma vassoura intermitente.
- Sou um lápis.
- Sou uma borracha.
- Sou a tua cidade.
As baterias vão sendo uma constante revolta no interior do meu corpo.
O desmoronar de sonhos é o culminar da realidade.
Passando concretamente de margem em margem; o rio é fisico, a ponte uma estrutura.
DOURO ou de OURO?!
Ele tenta falar comigo; eu absorvo a sua alma.
Ele vibra com os meus passos; por vezes fica sujo, outras é límpido e claro como cristal.
Ele tenta falar comigo e eu procuro entende-lo.
O seu discurso é expansivo:
- Nasceste por mim.
- És o meu rebento.
- És uma casualidade inesperada.
- És algo fisico, mas ao mesmo tempo demasiado espiritual.
- Chamo-me DOURO e percorro montes e vales até uma terra que amas.
- Sou um constante atrito.
- Tento ser o teu grito; quando estás mudo.
- Sou mais um dos teus sonhos.
- Sou um mero rio.
- Não pertenço a elites.
- Adoro quando as crianças se lançam para a minha água.
- Observo as casas pequenas, mas com uma intensidade no seu interior.
- Já deambulei por elas.
- Já vasculhei os seus segredos.
- Conheço a minha gente.
- Fazem-me mal e bem, a dualidade de critérios fica á minha responsabilidade.
- Habito um Porto, por mim passam barcos, passam mentes, passam automóveis.
- O constraste não é ilusório entre o que fui; sou e serei.
- Tenho nome, mas não tenho identidade.
- Não sou um número e muito menos uma curva.
- Por vezes na concretização fiável de um piscar de olhos luminoso, mantenho-me na minha margem irregular e tempestuosa.
- Navego em diários circunscritos.
- Vejo e revejo-me com uma aura de algo que tento possuir.
- Sou tinta esvaida num qualquer boião que vai-se estilhaçando.
- As minhas mãos; por vezes sentem-se cansadas, mas o meu abraço é eterno e nunca doloroso.
- Já passaram demasiados anos pelas minhas águas.
- Já cairam pontes sobre mim.
- Já choveram torrentes no meu interior.
- Já despertei esta cidade.
- Sou constantemente um mero rio por onde passam luzes e música.
- Provavelmente; sei quem fui, quem sou e quem irei vir a ser,
- Não tento pensar; AJO.
Na ponta fina de uma esferográfica; tento detalhar o mais lucidamente possivel o que vou sentindo concretantemente.
Por vezes num rocambolesco cenário, encontro uma pomba que me vai observando, absorvendo e falando comigo:
- Trago-te a essência da tua cidade na minha garganta.
- Ofereço-te as minhas asas já de si molhadas pelo teu rio.
- Voo pelo interior dos edificios desta maravilhosa cidade.
- Sinto-me abstraida do que se passa no meu voo fugaz.
- Não entendo a tua linguagem.
- O meu modo de comunicar e pensar é universal.
- Penso que não sou um conceito.
- Sou uma voz interior ímbuida da personalidade de uma cidade e de um rio.
- Absorvo através da passagem fugaz pela cidade o seu fumo.
- Com os pequenos movimentos das minhas asas; sinto-me envolvida em querelas e disputas inconsequentes.
- Trago no meu olhar, o sabor imenso e imerso da chuva e do sol.
- Percorro o teu interior.
- Tento ser absorvida na tua essência.
- A cidade é um marasmo de ideias sem consequência.
- Trago na garganta o sabor adoçicado da manhã.
- Escuto zumbidos incessantes.
- Tento evadir-me da tua sombra.
- Sou um vulto que pernoita nos teus telhados.
- Sou um mero mensageiro na escuridão luminosa.
A cidade é um posto; escuto italiano, escuto inglês, sinto-me perdido em babel.
A cidade continua a transportar-nos para dimensões ocultas.
Embrenhados nas suas pedras rupestres; as casinhas vão comunicando com as outras nas suas ruas estreitas:
- Tento recolher-me em Avalon.
- Tento percorrer aquele que me construiu.
- Sou a génese da natureza.
- Tento obter resposta ás minhas preces.
- Milhares de anos amistosos; colocaram-nos nesta simbiose de pedra Dantesca.
- A amizade tem os seus dissabores.
- As minhas janelas gritam pelo Fogo.
- Ouço as carruagens vazias em Contumil.
- Passeio e deambulo através dos olhares que me irão recordar eternamente.
- Estamos atolhadas em sal.
- Fomos pilhadas.
- Fomos destruidas.
- Encontramo-nos intactas.
- Extraimos as palavras necessárias aos actos desenfreados.
- Nas entranhas da cidade; escutamos um povo, uma voz e ruidos afagados.
- Somos mais do que uma vela acesa.
- Passaram muitas individualidades por nós, mas retemos as que queremos.
- Esmagadas; desequilibradas, endiabradas.
- Somos pedras que pensam.
- Temos vegetação; mas não temos vida.
- Somos povoadas, somos despovoadas.
- Limpam-nos a face com um pano.
- Pintam-nos novamente com cores desmesuradas de arco-íris triunfantes.
- O digital capta-nos.
- As pinturas na nossa face não nos dão identidade, descaracterizam-nos.
- Somos palavras lançadas ao vento.
- Somos a pedra com a qual David atingiu Golias.
- Por vezes; a interrogação e os constantes devaneios dão-nos o sumo que queremos extrair.
- Redigiram-nos com um aspecto ao qual; denominaram Gótico e ficamos coladas a esse conceito.
Olho para a hora; os mosquitos zumbem, talvez Deleuze tivesse razão.
Procuro o sensato no sentido lacto da palavra.
Observo o Universo e a via láctea sem sequer olhar para lá.
Pertenço á cidade; sou mais ponto dentro de um ponto ou uma virgula no interior de uma interrogação.
Desloco frases; solto fumo inconsequente.
O meu nome é um número.
As personagens não existem quando definimos uma cidade.
Estou cansado; mas a cidade vai-me acariciando os cabelos e a face.
- O sentimento de posse é onírico.
- Em que pensas tu, pobre diabo?!
Esbelta e tranquila no seu mar enevoado e estrelado.
A sensação não oculta a emoção.
Botas gastas corroidas pelo tempo; meias com uma constante inércia vão-nos absorvendo.
A mente vai-se dispersando; o sabor das oliveiras não existe.
Eiffel soube o que fez ao separar duas cidades.
Nazoni edificou um templo e no entanto, tudo continua na mesma como quando tinha 15 anos e pulava de frenesim a saber que viria para o teu centro.
Conheço a fome; conheço a miséria, conheço tempestades tumultuosas.
Vagueio por aqui e ali com a ajuda de uma pequena caixa alaranjada.
ALMA VIVA, sonhos de crianças envelhecidas.
SÉ, igreja desprezada e abandonada.
CORDOARIA deserta.
SANTA CATARINA oculta.
Mistérios e mistérios por decifrar.
Estou só, mas não me sinto sozinho.
AMO-TE.
ADORO-TE.

Mas, apesar de tudo sei quem és.
Olhos vitreos corroem-me as entranhas.
A opacidade sempre foi o meu fraco.
- Porque é que me sinto cansada?!
Balbucia a fonte.
Escuto a alma da cidade; espreito em vão uma janela encoberta pela bruma.
- Serei um pássaro?!
- Serei várias pontes?!
- Serei um rio?!
A cidade interroga-se e grita no silêncio da noite.
Sinto-me como o Constantine a perseguir demônios e acabar com eles na cabeça.
Por vezes; as entranhas da cidade chamam-me, não me acredito em consequências.
Diagnosticaram-me essa alcunha; essa comparação e vou assimilhando-a através da magia da personagem; sempre solitário a desaparecer e a desaparecer na minha cidade.
Não demonstro actos de magia, mas as semelhanças são quase inequivocas; aqueles de que mais gosto e gostei vão desaparecendo como se fossem uns verdadeiros fantasmas que por vezes me apontam o dedo e culpabilizam-me por actos por mim efectuados que eu próprio desconheço.
Percorro a calçada da minha cidade com o passo curto ( por vezes ) e com um aligeirado (demasiadas vezes) .
Esta carcaça vai percorrendo mentes, ruas, esquinas e avenidas.
Não me sinto doente; sinto-me liberto quase de uma forma éterea.
Observo árvores a gemerem; escuto o olhar dos gatos que por aqui passam e tento absorver a essência dos cães que abundam na minha cidade, através do meu olfacto.
Fotografias, imagens de guerra despoletadas em pequenas molduras e em dispositivos.
Caixinhas de fósforo, manipuladas através de um simples artefacto.
- Será MAGIA?!
Interrogo-me para mim mesmo.
Chávenas de café vão circulando do exterior para o interior.
Cigarros vão sendo manietados constantemente sem sequer serem uma alegoria.
Escuto as canções das crianças povoadas de realismo.
As metáforas são óbvias para a conjectura actual.
Conversas vão sendo despoletadas e vou compreendendo com exactidão, o porquê de uma geração.
As folhas gritam de angústia ao serem espalmadas como se de um acto intrínseco se tratasse.
Elas vão-se intrigando com estas atitudes:
- Somos percorridas.
- Somos derrubadas.
- Somos acariciadas e transportadas pelo vento.
- Somos alguém que te entende e acaricia quando mais precisas de nós.
- Será o outono um equinócio?!
Vão-se interrogando de uma forma verdadeiramente compulsiva.
Os relógios estão por toda a parte.
O olho vai vislumbrando o que a cidade é.
Tenta aperceber-se dos bonecos que saem das antigas galerias PALLADIUM e tenta-os reconhecer, mas é somente um olho impresso em papel.
No entanto e apesar das inúmeras mensagens de amor escrevinhadas nos muros; ele tenta materializar a sua existência, pois não acredita de todo que é um simples pedaço de papel:
- Sei quem és.
- Reconheço os teus habitantes.
- Observo com acutilância os detalhes pormenorizados da tua arquitectura.
- Detecto as crianças que por ti passam e passaram.
- Sou aquele que te vê.
- Não sou um grande irmão.
- Não sou castrador de ideias.
- Tento narrar-te somente através do meu olhar, daquilo que vejo.
Oceanos gasosos percorrem com exactidão a minha mente; gostaria de estar ou ser lá.
Montes, vales, areia mística, tempo parado e obsoleto.
Pastilhas para o enjoo.
Músicas a serem devidamente escalpelizadas.
Cinza a cinza não é um conceito, é a realidade.
Através de tempestades; chuvas, actos maníacos e doentios, sempre te abracei com o mesmo afecto.
A tua origem é a minha essência.
Foste povoada por gentes de Viriato.
Foste avassalada por Visigodos, cartagineses, romanos, gregos, celtas, mouros e quase todos os povos te formaram sem te darem uma essência concreta.
- Será que foi daqui que te edificaram?!
Continua a minha interrogação absorta e liberta.
As muralhas petrificadas continuam no seu lugar priveligiado a abraçar o rio de OURO.
Na serra do pilar; já na outra margem, observam-se os prévios destacamentos insondáveis de tentativas anteriores de invasão.
CHORAM AS ALMAS DA PONTE PÊNSIL POR TI : INVICTA.
Gaivotas voam sem cessar no teu interior.
Os pardais limitam-se á sua pequenez e aparecem de quando em vez.
As pombas são uma constante na tua inércia atribulada.
O Almeida junto á Câmara sorri para vós; aquelas estátuas que te portam sobre os ombros não se cansam, o edificio é leve como uma pena.
Anjos habitam-te na Avenida dos Aliados e na Praça da Liberdade; um mero deambulador pode observar isso correctamente.
Leões em SANTA CATARINA dão-te uma identidade.
Na rotunda da Boavista; um só leão vai esmagando a águia, dando-nos a ideia precisa de quem te sonhou e materializou.
És somente uma cidade?!
Recordo-te novamente da Praça dos Leões junto á CORDOARIA, onde nas imediações, os estudantes deveriam saber mais das tuas origens.
Os mercados que por ti pulavam de frenesim estão ao abandono, servindo-te somente como um mero adorno visual.
BOM SUCESSO.
BOLHÃO.
FERREIRA BORGES.
SÉ.

Tristemente sós mas felizes por te pertencerem.
As transacções nestes; trocas de produtos e de ideias, conversas alheias, eram uma constante.
No entanto, apesar da fuga massiva para outros centros exteriores e deslocados; deixaram-te ainda com pontos de encontro, os denominados cafés:
ARCÁDIA
REI DOS QUEIJOS
GARÇA REAL
MAJESTIC
(demasiado elitista)
ATENEU (demasiado cultural)
CEUTA
AVIZ
“O PIOLHO”
Lembro-me com exactidão de todos estes cafés povoados de almas no teu interior.
A feira de vandoma, vai lutando até á exaustão pela sua sobrevivência, desde o seu começo na (junto ao arco de vandoma), o encontro nas fontainhas, o desencontro na cordoaria e o reencontro novamente nas fontainhas para mais uma vez adornarem visualmente a beleza que o teu rio emana e as casas que se encontram em ti.
As almas que se vão deslocando a este determinado mercado vão sendo sempre as mesmas; umas mais envelhecidas e enrugadas pelo romantismo de que se impregnou esta feira sem vaidades.
- Lembro-me e visualizo a vossa face durante estes anos.
Vai murmurando a cidade...
Contínuo e linear são os teus traços gerais onde não se vislumbram coincidências oníricas.
- Mais uma chama acesa.
- Mais um horóscopo decifrado.
- Mais um burburinho de asas.
- Mais um som envolvente.
- Um pouco de magia, no recanto da raposa.
- O Deus verde da floresta comigo.
Tudo isto será percorrido na mente do tal mágico ou adivinho o qual ia narrando, umas linhas atrás.
Avisos; sinais, fontes de incoerência.
Matérias para serem dissolvidas e rarefeitas.
- Sou um mero guardanapo encostado num mapa.
Vai-me repetindo incessantemente a cidade.
Minutos vão sendo passados a fio sem qualquer interlúdio.
Ar; terra, fogo, água, fumo incandescente penetra o olhar despreocupado de mais uma alma que vai vampirizando a tua essência.
- ÉS UMA CIDADE CONVULSIVA, NÃO ESTÁS DOENTE....
Vou-lhe gritando ardentemente e repetidamente de CRESCENDO em CRESCENDO.
Alguém traga um cigarro meticulosamente, pausadamente com uma suavidade anormal, notam-se quase lágrimas no seu rosto.
Mais um círculo aparentemente desfeito, vou indagando para mim próprio.
O papel continua no seu grito paulatinado.
Uma aglutinação de ideias, vai sendo transcrita sem o seu êxodo aparente ou superficial.
Chamadas telefónicas; ventos agrestes, tumultos em cadeia.
Palavras soltas ao vento ou em círculos crepusculares.
As notas inocentes vão sendo um sinal cognitivo de uma transposição letal.
Tento conter a minha ânsia de transformar s tuas artérias; rejubilo com a sensação que vivo em TI.
Imagino a grandiosidade das palmas que te vão sendo oferecidas; repastos de um tal ÉMILE COHL vêm-me constantemente á cabeça.
Absorvo a essência de MÉLIES na transposição aparente de mais uma cidadezinha a orbitar eternamente com os seus pseudo-loucos a gritarem-me constantemente.
Nas minhas calças sujas; nas minhas mãos magras, tento espelhar-te sem sequer me tentar identificar.
Não possuo memória de elefante, mas percorro a tradição matinal de reflexão coerente e devastada.
Uma rapariga vai percorrendo mesa a mesa; denotando fragilidade nas suas emoções e sensações.
O estado de espirito é semelhante ao estado de alma.
- Talvez hoje não será um dia favorável.
Vai suspirando a cidade para os poros do corpo da rapariga.
- Um DONUTS com chocolate fabuloso.
Vou pensando para mim mesmo.
A atitude pouco reflectiva e nada ilusória vai-me presenteando com o quotidiano.
A fauna é o acto reflectido na incessante procura da flora.
- PARA QUÊ VOU ESCREVENDO?!
- SOBRE QUÊ?!
- PARA QUEM?!

Continua o burburinho de vários objectos a triturar a minha mente.
Sonhos povoados e despovoados; desmistificados num qualquer sotão transcendente.
O meu beijo interior continua no seu aperto melancólico a um simples cigarro.
A espera continua; a assembleia de Deuses é-nos ditada de uma forma pagã.
Assustadas; as divindades confundem-se, o correcto é o incorrecto, o simples vai-se transformando num abstracto.
O triângulo invertido vai fazendo parte dos meus pensamentos.
Sentindo o burburinho interminável de palavras ofuscadas não vou entendendo a tua génese.
És uma cidade viril na majestosa RIBEIRA, o desencontro é letal e o assombro por demais evidente.
Teatros pontificados; mergulhados em decadência vão dando a imagem transitória da tua essência.
SÁ DA BANDEIRA remetendo-nos para a popular revista e o pêndulo HARDCORE.
SÃO JOÃO dignificado aos impropérios de uma burguesia casta de ideias e que vai sendo concretamente aniquilada e devastada.
RIVOLI em transmutação constante com espectáculos para mais umas quantas élites.
CARLOS ALBERTO (regente de Savóia) vai permanecendo quieto e amorfo sem nos darmos conta disso.
Música desenvolvida em artérias desconhecidas.
- Quero ver o mundo através do teu olhar e dos teus olhos.
- Quero oferecer-me ás tuas lágrimas mistificadas.
- Planeio um ataque frontal á tua fenomenal RIBEIRA desertificada.
Bares que vão permanecendo iguais e sempre com as mesmas gentes.
OS SEUS SIGNIFICADOS NÃO SÂO UM DÉBITO, SÃO UM CRÉDITO."

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