Wednesday, October 11, 2017

Um guardanapo e um garfo - A Portuguese love story - Only lovers left alive

Capim





Perdido algures num hemisfério entre o sonho e o pesadelo, vou observando um guardanapo em cima de uma qualquer mesa.
Este move-se desenfreadamente na minha direcção e eu fico estático, sereno e insensível a olhar para ele, enquanto vejo escritas estas palavras no mesmo: 
- Anda daí, morre jovem.
Eu não consigo decifrar a mensagem e fico apalermado com a situação e procuro alguém num qualquer escritório que me fita com um olhar sorridente e que vai pensando com a mente e vou observando essa pessoa com um garfo na mão a escolher o que come de um mero prato.
 Essa mulher diz-me: 
- Se és um homem de mistérios, porque é que tens sonhos e pesadelos? 
- Se adoras as mulheres, porque é que estás enredado numa teia de memórias com uma gata pelo meio? 
- Porque é que partes copos? 
- Porque é que tentas resolver as coisas no momento? 
- Porque é que precisas da minha ajuda? 
Eu fico impávido e sereno a pensar numa terra com gelo e num qualquer devir que está por acontecer e deixo uma qualquer factura duma caixa com ela.
 Rumando até ao centro da mais bela cidade do mundo, penso sempre nas gaivotas que gritam para mim: 
- Sê livre.
- Procura um caminho certo, pois o coração não pode ser um vasto cemitério.
E continuo na cidade mais bela do mundo com todos os sonhos do mundo encostado a uma árvore e enquanto vislumbro os seus galhos, penso no verão e nos seus atalhos.
 4 gatas vão falando comigo: 
- Sê uma colher.
- Lembraste de nós? 
- Eu sou a deusa da ilusão.
- Eu sou a dona do teu coração.
- Eu apoderei-me da tua alma há bastantes anos.
- Eu sou a força que tens e que desconheces.
Eu continuo envolvido num manto protector sem dor, sensível ao olhar e ao toque, enquanto passa uma mulher que me incute desejo num qualquer beijo.
 Perdido numa mesa, observo o garfo a escolher aquilo que eu devo comer e vou observando a colher que tudo absorve sem perder nada ou deixar qualquer vestígio de comida, a escolha com a colher não existe.
 Na mesma árvore, na qual me protejo do sol infernal e que nesta altura do ano é banal, alguém me diz: 
- Vai pela sombra.
Eu continuo a sorrir sem saber muito bem o que me disseram e de repente vejo outra gata trajada como uma Viking que fala comigo: 
- Continuo a sonhar contigo sem qualquer dor ou rancor.
- Volta para mim.
- Eu nunca te esquecerei.
- Será possível tu esqueceres-me? 
Saio da zona onde estou e vou comprar uma lata de atum general e olho para a data de validade e a mesma passou do prazo e penso para mim mesmo: 
- Tudo é aleatório numa estrada perdida, tudo tem uma data, tudo tem um princípio e um fim.
Continuo a pensar no guardanapo que se move pela minha barba e vai limpando a minha saliva e os meus fluidos corporais e medito num qualquer grito desesperado numa noite qualquer numa data recente onde a minha mente estava presente.
 Tu passas por mim, num sorriso sem fim e ofereces-me um cigarro que trazes na tua mala e sem sequer pestanejares, retiras do teu maço, um círculo vicioso e tudo se transforma num qualquer ponto de electricidade estática que se move na minha cabeça como estando ela desconexa e presa a um corpo esquecido.
 Tu vais-me dizendo: 
- Eu dou-te um doce.
- Espera um pouco por mim.




Saio do supermercado e olho para um papel no chão que tem escrito o seguinte: 
- Não te percas na tradução. 
- Não vivas na ilusão.
- Segue o teu coração.
Continuo a deslocar-me e vejo um pardal em cima de um mero sinal de trânsito que tem escrito isto: 
- Sê um espírito livre. 
- Luta por um qualquer platonismo.
- Vive á procura do pão que o Diabo amassou.
- A matemática é uma ciência exacta.
- Onde estás tu? 
Eu olho para o pardal enquanto ele voa e com uns meros 50 cêntimos vou-lhe comprar alpista e fico contente enquanto ele vai debicando o que coloquei no chão com o coração.
 Vou a passar por uma montra de electrodomésticos e só vejo o país a arder com uma chama imensa sem fim e continuo a pensar no que posso fazer para recuperar a minha alma que foi entregue a vários demónios.
 De repente, tu apareces trajada com umas calças de ganga e com uma t-shirt que diz "glory Is more than a mere story" e vais-me agarrando a mão, enquanto eu imagino copos partidos e sangue a escorrer pela mesma.
 Falas-me de uma cobra chamada ourobouros que é o alpha e o omega num círculo infinito e eu imagino um qualquer helicóptero que possa fazer com que eu ao voar possa fugir devagar ao constante afago de almas em pleno ar.
 O guardanapo continua a observar-me, o garfo torna-se numa extensão do meu braço e eu perdido num qualquer sonho, imagino que sou feito de aço.
- Qualquer tipo de sonho ou pesadelo, são pedaços de papéis na tua mente.
Alguém me sussurra isto ao ouvido e eu sem pensar ou reflectir, abraço essa pessoa e penso que um mero copo com água é o oxigênio que me falta numa qualquer noite perdida e nunca esquecida.




Continua

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